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Tina descolada, ação transformadora.

Você conhece a Tina? Se não conhece esse projeto lindo espero que assim que terminar de ler esse texto inspirador da criadora, você se apaixone e conte para os amigos sobre esse trabalho.

Tina descolada, ação transformadora.

Em determinados momentos, o estado de contentamento com a vida não é pleno. Não no âmbito
profissional, pois como psicóloga estava tudo bem e, na vida pessoal, idem. Sempre tive muitos amigos e,
juntos, fazíamos Trekking pelas montanhas dentro e fora do Brasil. Isso era o que me preenchia
parcialmente, enquanto algo me faltava.
Algo maior? Um propósito? Tudo baseado na consciência de que, em algum lugar no mais fundo de mim,
morava um desejo inominável!
Trabalhando como psicóloga, atuando na clínica para pacientes com deficiências e seus familiares, tive
oportunidade de conviver com inúmeras pessoas que sofrem por trazer em seu corpo alguma diferença ou
maneira de se expressar.
Quando alguma adversidade de caráter permanente aparece e nos faz sofrer, seja uma deficiência adquirida
(como a perda de um membro, lesão medular, etc.), um filho com deficiência, doenças de pele tais como o
vitiligo, psoríase ou uma característica que nos diferencia dos outros, estamos vulneráveis ao preconceito e
discriminação. Tais sentimentos geram uma dor que, mesmo abstrata, maltrata. Pensar que você pode ser
rejeitado, discriminado e não ser amado pelo seu jeito ou forma de ser; por ser você? Essa é, a meu ver, uma
das piores dores que um ser humano pode experimentar.
Quando somos “diferenciados” por trazemos em nós alguma característica que não se “encaixa” aos olhos
acostumados da nossa sociedade, como se todos pudessem ocupar a mesma caixa, o único sentimento que eu
poderia ter era de pura indignação ao escutar os “julgamentos” desses humanos.
A escuta terapêutica não foi suficiente para calar a minha voz e me tornar completa diante desse cenário.
Nesse sentido, o sentimento criou voz, GRITOU mais forte e canalizou para uma ação simbólica com o
objetivo de transformar a realidade dessas pessoas.
A pulsão veio disfarçada em uma boneca, uma Barbie numa cadeira de rodas, comprada em um site de
vendas. O objetivo fundamental era ajudar os pacientes a se aceitarem e aceitarem a cadeira de rodas. Logo
em seguida veio insight: aquela boneca era a personagem que eu precisava para dar cara aos meus anseios.
O projeto Tina Descolada, o qual desenvolvo desde 2012, me faz cada vez mais plena em contentamento
pessoal e profissional.
A personagem, Tina Descolada, foi muito bem aceita pelos ativistas das causas da inclusão da diversidade
humana e da sociedade em geral, provavelmente por ser uma idéia inovadora e impactante.
A notoriedade do projeto se faz nas ações dentro e, claro, fora do ciberespaço, proporcionando a interação
presencial e natural com as diferenças. Dentre essas ações, podemos citar algumas como: passarela
inclusiva, oficinas de corações solidários, espaço lúdico, vivências, passeios na natureza, palestras,
exposições de fotos e de brinquedos, além da biblioteca interativa.
Atualmente, com a evolução do projeto e do conceito de inclusão, a Tina Descolada subiu alguns degraus;
hoje ela abraça a diversidade humana. Além disso, sua turma aumentou, para poder aumentar também as
figuras da diversidade. Hoje eu customizo bonecxs licenciados que se adequam a cada uma das formas de
diversidade que represento e, dessa forma, torno palpável o convívio com o diverso. Esses bonecxs são
utilizados em fotos e exposições. O projeto de produção dos brinquedos para vendas ainda mora no mundo
do imaginário, mas já está buscando conquistar o mundo real!
A personagem, Tina Descolada, nasceu do desejo de transformar a realidade de várias pessoas. Deu frutos e,
em contrapartida, transformou meus sonhos em flor.

 

Marta Alencar: psicóloga, fotógrafa e idealizadora do projeto Tina descolada.

Bruna Sanches

Sou editora de arte, divido meu tempo entre revistas, fotografias e trabalhos manuais. Tenho vitiligo desde o 18 anos e hoje transformei a minha pele em motivo de orgulho.

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