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Vitiligo está na moda!

Quando fui diagnosticada com a doença, há quase 13 anos atrás, pouco se sabia sobre, o Michael Jackson era o caso mais popular e os famosos que tinham manchas estavam sempre maquiados para ninguém ver.

De uns tempos pra cá a mídia vem olhando com mais atenção para nós, manchadinhos. Geralmente a intenção é muito boa de mostrar que a beleza está nas diferenças, incentivando a aceitação e quebrando padrões antigos. Ficou fácil ler matérias de famosos contando sobre suas marcas, cachorro com vitiligo que ficou popular na internet, modelo fazendo campanhas incríveis e dominando capas de revistas, e a publicidade de olho para surfar nessa nova onda.

Em meio a tudo isso ainda existem empresas fingindo concordar com esse discurso de aceitação por acharem um caminho lucrativo. As vezes recebo convites para participar de testes para algum comercial e quando vou, no dia do teste fica fácil identificar esse tipo de empresa pelas atitudes. Os comentários e questionamentos são errados, já ouvi coisas como: “Aceita cortar e pintar o cabelo?”, “Nem sei como te maquiar já que quanto mais vitiligo melhor”, “Nossa você tem poucas manchas no rosto, queremos chocar, vamos ver se encontramos alguém com mais”… E claro, eles tratam “bem” enquanto acham que vão te “usar” na campanha. Já aconteceu de me ligarem desesperados em uma Quinta-feira dizendo que a gravação seria no Sábado e que passariam as informações sem falta na Sexta. Durante todo o dia seguinte o produtor pedida medidas, dizia que estava tudo certo e que enviaria as informações do local até o final do dia. Aguarde o endereço até meia-noite, eu só sabia que a gravação começaria bem cedo no dia seguinte, então, enviei uma mensagem perguntando e a resposta nunca veio. Na semana seguinte vi o comercial do facebook, eles tinham encontrado um moço com mais vitiligo, então, porque se dariam ao trabalho de me informarem já não precisavam mais, não é mesmo? Isso me fez pensar na vida de modelos, como deve ser difícil trabalhar com pessoas assim. Deve mexer muito com a auto-estima e ter que aprender a lidar quando são tratados como objetos.

Infelizmente é comum o assédio dessas empresas, MAS calma, como disse anteriormente tem projetos muito legais acontecendo. Desejo que a mídia continue dando a devida importância e cada vez mais outras mulheres “reais” ganhem espaço e mostres outros “padrões” de beleza. Adoro estar na moda com as minhas manchinhas. Amo ver o que o vitiligo virou um assunto comum, isso ajuda integrar os desenhadinhos e de alguma forma dizer “Está tudo bem, não precisa se esconder.”

 

Bruna Sanches

Sou editora de arte, divido meu tempo entre revistas, fotografias e trabalhos manuais. Tenho vitiligo desde o 18 anos e hoje transformei a minha pele em motivo de orgulho.

  • mariana

    Poxa Bruna, sabia q a vida de modelo não era só glamour, mas nem imaginava que as pessoas fossem tão desrespeitosas assim….

    Tenho vitiligo desde bebê, e lá se vão 36 anos… quando essa moda da representatividade começou (sobre peso, raça, feminismo….) achei que nossa vez nunca chegaria e que todos estavam fazendo muito barulho a toa, já que na minha cabeça uma princesa da Disney ou uma Barbie que não fosse loira e magra não mudaria a vida de ninguém… Mas felizmente nossa vez chegou e eu mudei, pq pela primeira vez na vida to vendo mais gente se expor (ainda não é o meu caso) e principalmente, to treinando meu olho para aceitar que vitiligo não é tão ruim/feio como eu sempre achei (desculpa falar assim, mas acho q quem tem, tem licença poética para mostrar como se sente rs)….. apesar de ter voltado a tratar, to aceitando melhor…. a maturidade ajuda, é claro, mas ver mais gente parecida com a gente por ai ajuda mais ainda!!!!!!

    Parabéns pelo blog e pela sua coragem!!!!!!
    (Ps: não vinha aqui faz tempo mas hj nos falamos no insta, qualquer dúvida é só me procurar!!!!)

    outubro 11, 2017 at 11:08 am Responder

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