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Entrevista para Follow the Colours: Minha Segunda Pele por aí

A vida é cheia de altos e baixos. Agridoce mesmo, né? Semanas atrás, enquanto vivia um momento bem triste, sobre o qual ainda não estou pronta para falar aqui, ganhei um presente muito legal. Em uma tarde de Domingo chuvosa conheci Marina, uma jornalista doce (talvez por ser viciada em açúcar), tatuada, olhos grandes, lindas sardinhas no rosto e cabelo liso e castanho. Logo que sentei na mesa e a conversa começou, já parecia que a conhecia desde sempre.

Marina me entrevistou para o Follow the Colours. Aposto que muitos de vocês já conhecem esse site sobre cultura, design e comportamento e, como eu, são fãs.

Nessa última terça-feira recebi um e-mail da Carol, editora do site, me dizendo que a minha entrevista estava no ar. Cliquei ansiosa no link anexado no e-mail e já no primeiro parágrafo comecei a chorar. Chorei muito. Muito mesmo. Não por tristeza, mas por emoção e gratidão. Pude perceber que a doçura existe mesmo em momentos difíceis em que achamos que tudo está ruim. Basta a gente mudar a nossa paisagem mental pra perceber que mesmo na dor sempre tem alguém para estender a mão.

Pois bem. Agora parte da minha história e do Minha Segunda Pele está contada . Mas, já vou entregar a descrição feita por Marina. Espero que toque a vocês também. 

“Caminhando pelo café espaçoso de janelas largas e com delícias expostas em prateleiras de um balcão de vidro, eu e meus olhos curiosos espiavam por alguma característica que pudesse confirmar que a Bruna, autora dos textos profundos e reflexivos que li na semana passada, já estava ali.

Não demorou muito e, na segunda volta ao redor das mesas, vi uma estrela cadente, brilhando na entrada, como se tivesse acabado de chegar daquele céu chuvoso. Só agora percebo que minha tentativa de encontrá-la era inútil: sua presença é simplesmente impossível de passar despercebida.

Sem cerimônia, nos sentamos e rimos de qualquer coisa, abrindo o cardápio recheado de opções gostosas. O cabelo preto, preso e puxado para trás, formava um coque despojado e combinado a uma franja reta. Reparei novamente no seu sorriso, também reto e largo, como as janelas. Ele iluminava e aquecia o tempo cinza lá de fora.

Os brincos compridos e simétricos complementavam um estilo moderno que, ao mesmo tempo, contrastavam com seu rosto limpo e sem maquiagem, sendo exposta, apenas, sua pele. Talvez porque ela não tivesse nada a esconder, ou simplesmente não precisava de nenhuma pintura para torná-la mais bonita. Penso agora que seu rosto lavado retratava a fidelidade de sua vontade.

Espontânea, cativante e cheia de vida. Essa era a mulher que contava para mim sua história sem medo, borbulhando sinceridade e esbanjando o orgulho da conquista de ser ela mesma, numa humanidade consciente e sem máscaras. A risada era solta, assim como seus movimentos. Nada calculado. Apenas ela.”

Bruna Sanches

Sou editora de arte, divido meu tempo entre revistas, fotografias e trabalhos manuais. Tenho vitiligo desde o 18 anos e hoje transformei a minha pele em motivo de orgulho.

  • Adriano

    Uau. Bruna, tu arrasa. Linda, meiga, gentil, delicada, autêntica, sensível, forte, frágil e de coração aberto para a vida. Aprendendo um monte com tu. Grato.

    fevereiro 20, 2017 at 11:12 am Responder

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